O conceito de trauma na Psicanálise e suas implicações a longo prazo.
- luizagcpsi
- 9 de abr. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 4 de jul. de 2025

Na psicanálise, o trauma é visto como uma experiência intensa e perturbadora que excede a capacidade de defesa do indivíduo. Sigmund Freud, ao longo de sua obra, propôs que o trauma está relacionado ao conflito psíquico, onde o evento traumático não é digerido ou compreendido pela pessoa no momento em que ocorre, mas é reprimido ou bloqueado da consciência.
O trauma na perspectiva Freudiana
Freud descreveu o trauma como algo que interrompe o equilíbrio psíquico e geraria um efeito devastador no inconsciente. Para ele, eventos traumáticos não resolvidos se tornam fontes de conflito psíquico, levando ao aparecimento de sintomas como ansiedade, fobias, depressão e até comportamentos compulsivos.
Freud utilizou o termo “trauma psíquico” para se referir a experiências que afetam tão profundamente o indivíduo que ele é incapaz de processá-las adequadamente, resultando em angústias que continuam a influenciar o comportamento e as emoções do sujeito. Portanto, o trauma na psicanálise não se refere apenas ao evento, mas à maneira como o indivíduo lida com ele.
Trauma e seus efeitos a longo prazo
Quando o trauma não é tratado, suas consequências podem se arrastar por muitos anos, refletindo-se em sintomas emocionais e físicos. Algumas das possíveis implicações a longo prazo incluem:
Ansiedade crônica: medo e insegurança que podem ser gerados por eventos traumáticos, mesmo que o indivíduo não tenha consciência da origem dessa ansiedade.
Depressão: o trauma pode gerar um sentimento de desesperança ou inutilidade, levando a uma profunda tristeza e apatia.
Distúrbios do sono: o impacto emocional pode manifestar-se fisicamente, com dificuldades para dormir ou pesadelos.
Comportamentos autodestrutivos: o indivíduo pode se envolver em comportamentos prejudiciais para si mesmo como forma de lidar com a dor emocional do trauma.
A relação entre trauma, repressão e sintomas físicos e emocionais
A repressão, conceito central na psicanálise, é um mecanismo de defesa do ego que impede a consciência de acessar conteúdos emocionais dolorosos. Quando o trauma não é processado de forma adequada, o indivíduo pode tentar "esquecer" o evento traumático ou afastá-lo da mente consciente. No entanto, essa repressão não elimina o trauma — ela apenas o mantém no inconsciente, onde continua a afetar a psique de maneiras sutis e até prejudiciais.
Como o trauma se manifesta no corpo
Um dos aspectos mais interessantes da psicanálise é o entendimento da conexão entre a mente e o corpo. O trauma que não é elaborado de forma consciente pode se manifestar em sintomas psicossomáticos.
Por exemplo:
Dores crônicas: como dores nas costas, dores de cabeça e tensão muscular podem ser reflexos de tensões psíquicas não resolvidas.
Problemas digestivos: distúrbios como cólicas intestinais, prisão de ventre ou gastrite podem ter origem em questões emocionais não tratadas.
Distúrbios cardíacos: a ansiedade crônica associada ao trauma pode levar a problemas como taquicardia e pressão alta.
Esses sintomas físicos são uma maneira pela qual a psique tenta expressar a dor emocional que está sendo ignorada ou suprimida. A psicanálise, ao acessar o inconsciente, pode ajudar a compreender esses sinais e trazer à tona o que precisa ser trabalhado para promover a prática da cura emocional.
Sintomas emocionais
Os sintomas emocionais também podem ser manifestações de traumas não elaborados. O trauma pode se refletir em sentimentos de angústia, insegurança, medo e solidão, e pode se tornar mais evidente através de comportamentos repetitivos e compulsivos. Algumas dessas manifestações podem ser:
Reações emocionais intensas sem razão aparente.
Dificuldade de se relacionar com os outros, como padrões de retraimento social ou dependência emocional.
Baixa autoestima e um senso de culpa ou vergonha relacionados ao evento traumático.


